Por Gustavo Nero Mitsuushi

Localizado entre os estados de São Paulo e Minas Gerais o Rio Grande guarda importância histórica, tanto para a produção de eletricidade através das hidrelétricas, quanto pelo oferecimento de pescado para a subsistência das populações ribeirinhas e lazer dos pescadores amadores. São inúmeros os municípios que se desenvolveram às margens deste generoso rio, fornecendo renda através do comércio de iscas e peixes, materiais de pesca, movimento em hotéis e restaurantes.
Com a confecção de barragens hidrelétricas, seu curso de águas rápidas e cachoeiras foi sendo substituído por enormes represas. Os cardumes de espécies nativas típicas da bacia do prata aos poucos desapareceram. Por outro lado, novas espécies foram introduzidas e ganhando destaque entre os pescadores.

Não há dúvida de que o tucunaré é a espécie mais cobiçada neste território. Predador voraz, a espécie foi inicialmente introduzida nos reservatórios a fim de controlar a proliferação das espécies forrageiras.

Apresenta corpo robusto, mandíbula proeminente e sua cor pode variar durante o ano. Vivem em ambientes lênticos e atacam suas presas com grande disposição. As espécies predominantes no Rio Grande são o Tucunaré azul e o amarelo.

O registro de bons exemplares capturados, associado aos baixos custos e as curtas distâncias que separam seus pontos de metrópoles como Ribeirão Preto, Barretos, São José do Rio Preto, Campinas e até São Paulo tornaram o Rio Grande em uma das grandes opções de pesca na região sudeste.

Neste roteiro, tentarei passar informações adquiridas em algum tempo de experiência nas águas deste rio, considerando os reservatórios que, no meu ponto de vista, são os mais procurados na região sudeste.

Represa de Marimbondo

Considerado um dos reservatórios mais piscosos do Rio Grande, este vem desfrutando a disseminação recente de belos azuis em suas águas, até então colonizadas exclusivamente por tucunarés amarelos. Da mesma forma, a pesca predatória vem crescendo desordenadamente por parte de profissionais e mesmo pescadores amadores.

Seu terreno é composto basicamente por pastos para criação de gado e búfalos.
As margens são ricas em vegetação tipo “arranha-gato”, ”cana-brava”, galhadas cerradas, drop-off e apresentam uma boa profundidade, criando o ambiente ideal para uso de iscas de superfície. Possui inúmeros braços onde pesca-se o dia inteiro.

Há ilhas de fundos rochosos que servem de esconderijo para grandes exemplares.
Este trecho ainda recebe águas do Rio Pardo-Mogi cujas imediações propiciam a pesca de espécies nativas em certas épocas do ano, tais como piaparas, dourados e peixes lisos na rodada.

Entretanto, a represa apresenta o inconveniente de apresentar constante oscilação de seu nível com o regime de chuvas; modificando o comportamento dos peixes e suas águas, que podem sujar com facilidade. Há grande quantidade de banhistas e barcos de passeio nos fins de semana e feriados.

Cidades próximas: Guaraci (SP), Colômbia (SP), Icém (SP)
Espécies encontradas: Tucunaré (azul e amarelo), corvina, piapara, corimba, dourado
Dicas de pesca: A melhor época é no período de estiagem, que inicia-se em agosto. Com a seca, os exemplares são mais facilmente encontrados. Recomenda-se o uso de leader de Fluorcarbono sob o risco de rompimento com certa facilidade.

Pontos positivos
• Bons cardumes podem ser encontrados
• Fácil acesso
• Presença de espécies nativas
Pontos negativos
• Oscilação freqüente do nível de água
• Grande concentração de banhistas

Represa de Porto Colômbia

Tendo como principais pontos de partidas a cidade de Planura (à jusante) e Guaíra (à montante), o pescador tem acesso a inúmeros pontos com beleza destacada.

Neste reservatório o nível das águas curiosamente quase não apresenta oscilação, mantendo-se límpidas durante grande parte do ano. O relevo de planalto, aqui mais evidente, beneficia a região contra ventos.

Há grande quantidade de vegetação subaquática tipo “rabo de macaco”, proporcionando esconderijos para a procriação das espécies.

O trecho ainda recebe águas do rio Uberaba e Sapucaí, que formam dois de seus principais pontos de pesca.

Apresenta, também, inúmeras lagoas, que correm paralelamente ao leito, onde cardumes de tucunarés são encontrados e grandes traíras podem ser fisgadas com freqüência. Suas margens são rasas e muitas vezes desprovidas de estruturas.
A navegação é perigosa devido à presença de galhadas escondidas sob a superfície, principalmente dentro do rio Sapucaí.

Cidades próximas: Planura (MG), Guaíra (SP)
Espécies encontradas: Tucunaré Azul e Amarelo, traíra
Dicas de pesca: A melhor época compreende-se entre setembro e março, as altas temperaturas aquecem as águas em ilhotas e raseiros. Neste período, procure o ponto conhecido por “3 ilhas”, um conjunto de pequenas ilhotas fluviais submersas, onde os cardumes podem ser encontrados com menos dificuldade.

Pontos Positivos
• Baixa oscilação do nível de água
• Presença de vegetação aquática em abundância
• Relevo, em parte, protegido contra ventos e marolas
Pontos Negativos
• Margens rasas, poucas estruturas
• Navegação perigosa

Represa de Volta Grande

Este foi o reservatório onde foram fisgados os maiores tucunarés do sudeste e por muito tempo foram realizadas excelentes pescarias. Hoje suas águas sofrem com intensa pressão de pesca e os cardumes foram drasticamente reduzidos.

Resistindo com valentia, esta represa possui peculiaridades especiais. Suas águas claras, com alto índice de transparência, propiciam alimento em fartura para o crescimento de alevinos.

Por outro lado, o solo é predominantemente arenoso, dificultando o aquecimento da água no inverno. As margens alternam raseiros e espraiados com pontos profundos onde são encontrados buritis, vegetação típica composta por uma espécie de coqueiro de madeira mole, hábitat de grandes exemplares.


Possui ainda inúmeras grotas onde é possível encontrar “casais” de tucunarés no período de acasalamento.
A região apresenta enorme estrutura para atender pescadores, dispondo de pousadas, restaurantes, piloteiros e suprimentos.

Cidades próximas: Miguelópolis (SP)

Espécies encontradas: Tucunaré (azul e amarelo), corvina
Dicas de pesca: É comum a pesca nesta represa usando iscas vivas.

Procure os locais freqüentados por estes pescadores e use jigs e colheres metálicas, recolhendo-as em alta velocidade.

Pontos positivos

•Fácil acesso.
•Estrutura hoteleira.
•Grandes exemplares ainda são encontrados.

Pontos negativos

•Intensa pesca predatória.
•Fundo arenoso prejudica pesca no inverno, quando a espécie procura águas profundas.

Represa de Água Vermelha

É o segundo maior reservatório do Rio Grande e apresenta características semelhantes a seu vizinho, Marimbondo, tais como margens profundas, solo argiloso (que lhe confere o nome), grandes galhadas e lugares com vegetação alagada.

Boa parte de sua extensão ainda mantém mata nativa com concentração de espécies forrageiras, onde podemos encontrar estruturas para pesca de peixes lisos na rodada e cevas freqüentadas por pescadores de piapara e grandes caranhas.

É região pouco explorada e de acesso difícil em relação às outras represas do Rio Grande, propiciando menor pressão de pesca que deixa o predador menos desconfiado, aumentando a
produtividade.

Seu leito é largo, em dias de vento a navegação pode tornar-se perigosa.

Cidades próximas: Cardoso (SP), Orindiúva (SP), Itapagipe (MG)
Espécies encontradas: Tucunaré (azul e amarelo), barbado, pintado, piapara, pacu.

Dicas de pesca: Experimente a pesca de rodada nos poços profundos usando iscas vivas. Próximo ao “Porto da Mandioca” é possível fisgar peixes de couro.

Pontos positivos
• Baixa pressão de pesca
• Presença de extensa área de mata nativa
• Grande concentração de espécies forrageiras
Pontos negativos
• Acesso difícil
• Navegação perigosa em dias de vento